A paixão de Bastian

“As paixões humanas, são misteriosas, e as das crianças não o são menos que as dos adultos. As pessoas que as experimentam não as sabem explicar, e as que nuncas as viveram não as podem compreender. Há pessoas que arriscam a vida para atingir o cume de uma montanha.  Ninguém é capaz de explicar por quê, nem mesmo elas. Outras arruínam-se para conquistar o coração de uma determinada pessoa que nem quer saber delas. Outras, ainda, destroem-se, a sim mesmas porque não são capazes de resistir aos prazeres da mesa – ou da garrafa. Outras há que arriscam tudo o que possuem num jogo de azar, ou sacrificam tudo a uma ideia fixa que nunca se pode realizar.  Algumas pensam que só podem ser felizes em outro lugar que não aquele onde estão e vagueiam pelo mundo durante toda a vida. Há ainda as que não descansam enquanto não conquistam o poder. Em suma, as paixões são tão diferentes quanto os são as pessoas.A paixão de Bastian Baltasar Bux eram os livros.”

ENDE, Michael. A História Sem Fim.

  

por historiasdebau

Um estranho objeto

O menino caminhava pela rua, sem rumo.

Com os pés descalços tropeçouem algo. Jáestava acostumado a tropeçar em todo tipo de coisa, mas dessa vez, ate seus pés sabiam que aquilo não era uma coisa qualquer. Era um estranho objeto que nunca vira na vida.

Se seus pés não o tinha reconhecido, que dirá a cabeça? Então ao invés de ignorá-lo voltou desconfiado. Com o olhar atento observou cada detalhe do tal objeto. Tinha uma capa dura que envolvia dezenas de folhas, e dentro pequenos símbolos se estendiam de uma ponta a outra, em linha, de cima a baixo. Não compreendeu nada. Folheou atentamente cada página. Encontrou também algumas figuras e enfim percebeu do que se tratava.

Encantado de ter um livro de histórias nas mãos ficou a apreciá-lo por um bom tempo, e sem se dar conta da hora percebeu que algo estranho lhe acontecia. De repente, não mais que de repente as palavras começaram a saltar do livro e envolve-lo em uma teia de letras e sinais. Preso então e algumas dessas histórias fora tragado para dentro do livro, sendo levado pelos mais diversos cenários, obrigado a encarar os mais ousados personagens.

Depois a longa viagem chegou ao fim, no entanto seu próprio fim ainda não tinha chegado.  Percebendo que não havia saída sentou no canto da ultima página e ficou a pensar na vida. Ate aquele momento não tinha nada, andara sem rumo, sem sorte, sem casa. E ate aquele dia não tinha lugar onde pudesse ficar a não ser à margem daquelas histórias.

Mas depois de tanto pensar uma ideia começou a fervilhar.

Que tal escrever agora sua própria história.

 

vnr

 

 

por historiasdebau

O fantástico

Sobre o fantástico

“A fantasia (fantasy) é uma atividade humana natural (…). A fantasia criativa se funda na firme aceitação de que as coisas no mundo são assim como elas nos aparecem à luz do sol; é uma aceitação dos fatos em si, mas não uma submissão a eles (…). Se os homens não soubessem distinguir de verdade entre os seres humanos e os sapos, as fábulas sobre os príncipes-sapos nunca seriam possíveis.”

J.R.R Tolkien. On Fairy-Stories. In: CESARINO, Remo. O fantástico. Curitiba: Ed. UFPR, 2006. p.10.

 

 

por historiasdebau

Através do espelho

Completava seu décimo terceiro aniversário. Nunca ganhava muitos presentes, só aqueles que cabiam aos pais: uma bicicleta, uma boneca, roupas, etc, etc. Mas sempre ficava pensando que mesmo ganhando o que queria, nunca ganhou o que precisava.

Mas o fato mais curioso é que naquele ano ganhou algo bem diferente, no entanto não era nada do que quisesse de verdade. Sem remetente, apenas com destinatário, o pacote chegou na manhã seguinte ao seu aniversário. A menina queria perguntar aos pais quem poderia ter lhe mando tal presente, mas ficou com medo de que os pais receosos, por um estranho tê-la enviado um pacote não identificado, lhe tirassem o direito de abrir a caixa.

Lana então se escondeu no canto mais escuro do quarto – como sempre que fazia uma coisa errada – e abriu o pequeno pacote. Dentro dele nenhuma surpresa só um pequeno espelho e um bilhete velho amassado. Um pouco confusa e bastante decepcionada a menina pegou o espelho e contemplou sua própria imagem. Não havia nada de novo ali, só um ano a mais do que o da semana passada. Frustrada botou o objeto de volta na caixa e o guardou embaixo da cama, e lá ficou por quase uma eternidade.

Dias depois, estando sem fazer nada lembrou-se da cama, do pacote, do espelho e do bilhete. Correu para o quarto e pegou a caixa.

– Certo, vamos encarar isso como um grande mistério. Um pacote sem remetente, e um espelho com bilhete velho como presente. – falou em voz alta.

Nada ainda lhe fazia sentido.

Ao olhar para o espelho de novo percebeu seus detalhes. Primeiro, nunca vira um espelho com cabo, de formato oval e todo ornamentado. Pesado, parecia até ser muito caro. Agora dando atenção ao bilhete tentou lê-lo, mas foi mais difícil do que se pensava. A letra ilegível, mas bem desenhada, tinha aparência antiga, e parecia estar toda desordenada e por conta disso não entendeu nada.

Incomodada ficou encarando seu próprio reflexo, pensando, e logo percebeu algo estranho, seu reflexo pareceu ganhar vida e fazer movimentos que ela mesma não previa. Espantada parou para observar novamente e dessa vez nem mesmo o rosto que via no espelho era o seu próprio, mas sim o de uma velha senhora.  Perturbada ela largou tal objeto e resolvera dormir, porque aquilo, provavelmente, devia ser o sono já batendo a sua porta.

Na manha seguinte, ainda meio sonolenta Lana se lembrou do ocorrido e deu mais uma olhada no espelho, de relance, e pareceu não ver nada errado, depois arriscou uma olhada um pouco mais demorada e dessa só contemplou sua própria imagem. Se sentindo estranha resolveu pensar que não tinha sido nada.

Mesmo repetindo consigo mesmo que aquilo era só uma brincadeira, a garota não se convencera. E em toda boa mágica nunca desistimos de descobrir o que há por trás dela, e se a outra imagem no espelho foi um truque ela descobriria como era. Então na outra noite passou horas olhando para o espelho e dessa vez sua imagem não só se transformou em outro alguém, mas em outro quem. Podia ver por trás do espelho que nem mesmo o seu próprio quarto se projetava. Era outra paisagem que contemplava, e o rosto com que agora se deparava era de uma bela moça, com aparência calma e sossegada.

O mistério ainda não tinha sido desfeito, o que então refletia o espelho? Ficou a pensar por dias a fio, mas não teve nenhuma idéia, ate que decidiu estudar o pequeno papel novamente, e como num passe de mágica teve a ideia de colocar as tais letras embaralhadas  em frente ao espelho para ver no que dava.

E assim se lia a seguinte frase: “Quando no espelho se debruçar, em sua primeira face vai encontrar um futuro a se concretizar e um sonho a se realizar. Quando mais fundo olhar, mais faces você poderá encontrar, mas tal tarefa não será fácil de se alcançar.”

 

vnr

por historiasdebau

Abrindo o baú

Eis mais uma navegante, no mar de informação!

Começa aqui uma nova  jornada para revelar histórias há muito tempo bem guardadas.

Desde muito tempo venho guardando milhões de histórias em um baú enterrado no quintal, e hoje vou abri-lo. Com muito cuidado lhe tirar a terras dos anos passados e destranca-lo.

Já nem me lembro mais o que guardei nele, o que surgir aqui será uma pequena amostra dos pequenos monstros que moram por lá, que das quimeras e dos males do mundo tão antes bem guardados por Pandora numa caixa, viraram meras histórias de baú abandonado.

 

vnr

por historiasdebau